domingo, 26 de abril de 2009

Esquizofrenia em foco...

Como sempre a mídia traz assuntos do nosso cotidiano para as novelas, em Caminho das Índias, novela exibida no horário nobre da rede globo, a personagem vivida por Bruno Gagliasso (TArso) passa por sua primeira crise de esquizofrenia, o garoto rico, no auge da pressão familiar por decisões profissionais, não suportou e surtou, começou a ouvir vozes, ver coisas irreais para os outros e a sentir-se perseguido e ameaçado. Na novela outro garoto, de classe social pobre, Ademir, também possui esquizofrenia, ele vivencia as características da doença de forma muito real, a dificuldade em lidar com os problemas, a crise, as alucinações, o tratamento medicamentoso e terapêutico. Além de tudo a novela mostra a vida normal que Ademir leva, quando tratado, na Gafieira, dançando, o que faz muito bem, consertando computadores, no convívio com os demais, etc...fatores estes que desmistificam o mito do doente mental "maluco", "doido", que não pode trabalhar, que não pode viver em sociedade pois representa perigo aos demais. Outro fator importante que a história dos dois meninos tráz é a dificuldade da aceitação familiar, as doenças da mente são vistas como "exclusividade de pobres", nas classes sociais ricas, os pais custam a entender, passam por uma negação absurda e nunca querem admitir que seus filhos ou parentes surtaram, pois para eles isso denigre a imagem daqueles que amam, atitudes estas que atrapalham muito no tratamento do doente mental, pois a família é um elo básico para o sucesso da terapia. Na prática observa-se que aqueles usuários de saúde mental que contam com o apoio familiar, na supervisão das medicações, no cotidiano do tratamento, etc, passam mais tempo sem apresentar crises e dificilmente abandonam a terapia.

Confira no link abaixo, reportagem sobre as histórias da vida real retratadas em novelas.

http://entretenimento.br.msn.com/famosidades/noticias-artigo.aspx?cp-documentid=19390831

Leia um trecho...

Especial: Aposta das novelas em temas sociais

Por Daniela Teixeira

Cada vez mais, as novelas apostam em temas que retratam o cotidiano da sociedade. Problemas sociais e até alertas sobre comportamento e bem-estar aparecem recheados de cenas que misturam ficção com realidade.
Alcoolismo, síndrome de down, seqüestro de bebês, leucemia, violência doméstica, esquizofrenia e tantos outros assuntos são abordados nas novelas brasileiras e, em sua maioria, geram curiosidade e entendimento por parte do grande público.

Glória Perez, que escreve o folhetim "Caminho das Índias", das 21h, da Globo, tem mostrado o drama vivido por Tarso, personagem de Bruno Gagliasso. O jovem é pressionado por seu pai, Ramiro (Humberto Martins), a assumir a empresa da família. Acuado, o rapaz se refugia dentro dos próprios pensamentos desenvolvendo, assim, um quadro grave de esquizofrenia. Por conta de seus constantes surtos, o rapaz começará a sofrer preconceito por parte de alguns amigos.


quarta-feira, 15 de abril de 2009

Entendendo um pouco de Psiquiatria...


Essas fotos são da Oficina de Música do Caps onde trabalho....







O que é Reforma Psiquiátrica???

A reforma psiquiátrica pretende modificar o sistema de tratamento clínico da doença mental, eliminando gradualmente a internação como forma de exclusão social. Este modelo seria substituído por uma rede de serviços territoriais de atenção psicossocial, visando a integração da pessoa que sofre de transtornos mentais à comunidade.

A rede territorial de serviços proposta na pela Reforma Psiquiátrica inclui centros de atenção psicossocial (CAPS), centros de convivência e cultura assistidos, cooperativas de trabalho protegido (economia solidária), oficinas de geração de renda e residências terapêuticas, descentralizando e territorializando o atendimento em saúde, conforme previsto na Lei Federal que institui o Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. Esta rede substituiria o modelo arcaico dos manicômios do Brasil. A reforma psiquiátrica a desativação gradual dos manicômios, para que aqueles que sofrem de transtornos mentais possam conviver livremente na sociedade. Ocorre que muitos deles sequer têm nome conhecido, documentos, familiares, dificultando a reinserção social. Também não possuem acesso aos benefícios sociais oferecidos pelo Estado, como a aposentadoria e auxílio-doença.

O movimento pró Reforma Psiquiátrica no Brasil teve início na década de 70, por reivindicação de médicos e familiares de pessoas com transtornos mentais.

A reforma psiquiátrica é o tema de um debate em andamento no Brasil há anos, as resoluções tomadas neste processo ainda não foram totalmente implementadas. Em abril de 2001 foi aprovada a Lei Federal de Saúde Mental, nº 10.216, que regulamenta o processo de Reforma Psiquiátrica no Brasil.


terça-feira, 14 de abril de 2009

CAPS... Do que se trata...


O QUE É UM CAPS?

Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é um serviço de saúde aberto e comunitário do Sistema Único de Saúde (SUS). É um lugar de referência e tratamento para pessoas que sofrem com transtornos mentais, psicoses, neuroses graves e demais quadros, cuja severidade e/ou persistência justifiquem sua permanência num dispositivo de cuidado intensivo, comunitário, personalizado e promotor de vida.

O objetivo dos CAPS é oferecer atendimento à população de sua área de abrangência, realizando o acompanhamento clínico e a reinserção social dos usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários. È um serviço de atendimento de saúde mental criado para ser substitutivo às internações em hospitais psiquiátricos.

Os CAPS visam:

• Prestar atendimento em regime de atenção diária.

• Gerenciar os projetos terapêuticos, oferecendo o cuidado clínico eficiente e personalizado.

• Promover a inserção social dos usuários através de ações intersetoriais que envolvam educação, trabalho, esporte, cultura e lazer, montando estratégias conjuntas de enfrentamento dos problemas. Os CAPS também têm a responsabilidade de organizar a rede de serviços de saúde mental de seu território;

• Dar suporte e supervisionar a atenção à saúde mental na rede básica, PSF (Programa de Saúde da Família), PACS (Programa de Agentes Comunitários de Saúde);

• Regular a porta de entrada da rede de assistência em saúde mental de sua área;

• Coordenar junto com o gestor local as atividades de supervisão de unidades hospitalares psiquiátricas que atuem no seu território.

• Manter atualizada a listagem dos pacientes de sua região que utilizam medicamentos para a saúde mental.

domingo, 12 de abril de 2009

Muito tempo.....se passou....

Muito tempo se passou mas graças a Deus nada mudou na vida de Luís que não fosse pra melhor... ele continua ótimo, frequentando a escola, brincando com os amiguinhos que não param de crescer em quantidade, nunca vi como este menino cativa os outros. Estive com ele e seus pais num almoço de domingo semanas atrás, é muito bom ver Luis Flávio correndo, aprontando, saudável... Eu já não trabalho mais no hospital onde nos conhecemos, pedi demissão, por opção, precisava de mais tempo pra mim, pra minha casa e marido, pois estava com dois empregos que exigiam muito de mim, fiz uma opção da qual não me arrependo, mas nunca deixarei de ver Luís e muita gente boa que conheci durante a minha passagem pelo hospital, hoje sei que cointinuo fazendo o bem, mas para outras pessoas bem maiores em idade porém não menos necessitadas. Trabalho num Centro de Atenção Psicossocial - Caps e usarei esse espaço pra divulgar esse serviço para que todos tomem conhecimento do que se trata.... Tô feliz gente e Luís como sempre...continua feliz...

domingo, 21 de setembro de 2008

Um desfecho na TV.

Reportagem da TV Bahia fala sobre a história de Luís Flávio.Caso de garotinho com leucemia tem desfecho emocionante
O Rede Bahia Revista lembra agora um caso que chamou a atenção de todo o Brasil. Vítima de leucemia, um garotinho órfão sofreu ao lado de toda a família em busca da cura para a doença. O desfecho desta história você acompanha agora.
O menino Luis Flávio está com três anos. É daqueles garotos que não dão sossego aos pais o dia todo.
O pai sofreu com um tempo de amargura. Luis Flávio é aquele menino que no ano passado comoveu a Bahia quando teve diagnosticada uma doença grave: a leucemia mielóide. A maior chance de cura estava no transplante de uma medula óssea compatível, que fosse de algum parente próximo do garoto.
O problema é que Luis Flávio é filho adotivo. Ele foi abandonado com vinte dias de vida numa rua da Pituba e depois adotado por Marcos e Leosandra. O casal então pediu publicamente para que a mãe desconhecida aparecesse.
Mas o apelo não deu resultado. O pai buscou ajuda, colocou carro de som nas ruas e distribuiu panfletos tentando sensibilizar a mãe biológica. A campanha atingiu em cheio o coração dos baianos.
Na época, à procura da mãe de Luis Flávio, a família desejava que o tempo parasse. A campanha para que a vida do menino fosse salva ganhou o Brasil quando o casal fez um apelo emocionado no programa Mais Você, da Rede Globo.
Foi um tempo de apreensão, incertezas. Durante as sessões de quimioterapia, numa tentativa de vencer a batalha contra a leucemia, o desânimo abatia a família.
A chance de recuperação sem o transplante era de apenas 20%, mas ela veio. Depois de oito sessões de quimioterapia, os exames não apontaram mais a leucemia. Curado, Luis Flávio continua sendo acompanhado pelos médicos.
A leucemia mielóide aguda é um dos vários tipos graves de leucemia. A doença que atinge Luis também está sendo vencida por José. Aos quarenta anos, para ele, o caso do menino é um dos motivos que o levam ao otimismo.
Longe da ameaça da doença, a família quer agora um tempo de paz.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

VÍTIMAS DA VIOLENCIA

Tanto tempo ausente pelas horas gastas trabalhando e de repente me torno vítima da violência que predomina nos grandes centros e além de ter meu dinheiro, o fruto das minhas noites em claro trabalhando, roubado, ainda fico impossibilitada de continuar na "lida" e com tempo suficiente para atualizar meu blog e me indignar com a falta de segurança pública atual.
Na última semana me tornei mais uma vítima de assaltantes, aliás nos grandes centros é muito difícil conhecer alguém que ainda não tenha sido vítima deste tipo de violência, se não foi com certeza conhece alguém que já tenha sido. Moro atualmente em Salvador e estava num caixa eletrônico de um bairro de classe média, onde geralmente há muito movimento, porém neste dia não teve uma alma viva que me livrasse de tal fato, eram 14h e alguns minutos, fiz o saque e eis que a criatura entra nada diz e nada ouve, tomou o dinheiro da minha mão esquerda e velozmente atingiu a palma da mão direita com um canivete, saiu, correu, pulou e sumiu no espaço (até achei que tinha sido abduzido)´e nada se alterou ao redor, afinal ninguém viu... achei até que tinha sonhado ou enlouquecido, pois só eu vi... porém restou o sangue que teimava em cair com tanta velocidade...e eu ali parada, olhando pra tela que ainda me perguntava: DESEJA REALIZAR OUTRA OPERAÇÃO? Sim, quem sabe? eu pensava, talvez uma colostomia (ainda não tinha tido coragem de olhar pra baixo, não sabia onde tinha sido o corte, achei que fosse na barriga). Quando olhei para a mão, a bolsa e o chão rubros quis gritar, chorar, mas não tive forças, então sai quase me arrastando, e eis que outra personagem, enfim, aparece, me socorre, me segura, seca o sangue, me dá socorro, depois me lembro de ter ficado fria, suado muito e nauseada... aí veio o médico, os pontos, o curativo, a dor, o ardor, meu marido preocupado, todos curiosos, porém vendo com normalidade: "- Tem acontecido, a violência tá demais.". Eu queria levantar da maca e gritar: - Sim, e vocês se conformam? A violência tá demais e a gente acha normal? Chega!!! Agora até lembrei da personagem da novela "Duas Caras" que gritou CHEGA... Mas foi assim que me senti, mais uma vítima e outras tantas virão...Não reagi, nada disse, se me pedisse minha bolsa entregaria, mas não... ele só quis me machucar, me deixar temporariamente inapta para o trabalho, e deixar no meu pensamento que ele podia ter me matado, se quisesse, mas não quis...pois afinal ninguém viu...mas se eu tivesse tido uma crise de fúria tomado o canivete das mãos dele e feito picadinho do ladrão de camisa vermelha, certamente estaria vendo o sol nascer quadrado...mas ele... parecia ser até menor...um menor que já sai de casa com um canivete, que intenções tem, o que tem a perder, que educação recebeu, se recebeu? Já se passou quase uma semana, ainda dói, dependo dos outros até pra pentear os cabelos, a cicatrização está boa, mas ainda restam muitos curativos, antibióticos, anti-tetânicas, anti-retrovirais, atestados, avaliações com médico do trabalho e indignação para o povo brasileiro enfrentar.
Mas as eleições estão chegando, nossa chance de resposta, espero....

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Estamos ótimos...

Aos que se preocuparam: Desculpem o sumiço.
Mas a vida tá muito corrida, voltei a trabalhar a noite e como já postei antes durante o dia estou num Atendimento psiquiátrico, então o tempo que sobra é do maridão e do sono que me corrói...Mas as notícias são boas estou feliz com essa rotina maluca e Luís Flávio também está muito bem, fará 3 anos no próximo dia 30 de setembro, a febre no mês passado foi apenas um susto, que não se prolongou por muito tempo.]
Em breve trarei mais notícias.

domingo, 17 de agosto de 2008

No hospital mais uma vez...

Nesta madrugada a tristeza atingiu a todos, Luís Flávio retornou a emergência do Hospital com febre muito alta e vômitos, até o momento em que saí do plantão não se sabia o motivo, mas ele estava abatido, hipoativo, sem querer muito papo. Vamos rezar para que tudo isso não passe de um susto.

sábado, 2 de agosto de 2008

Tô no sofá do Amigão...


Como disse anteriormente hoje dia 02 de agosto é o meu dia de sentar no sofá do amigão, uau que luxo, passem lá e dêem uma olhadinha... olha só que chique que fiquei na caricatura.


terça-feira, 29 de julho de 2008

Mais um pouco sobre...Doação de Medula óssea

Muita gente confunde transplante de medula óssea com transplante da medula espinhal. Infelizmente, não se domina ainda a tecnologia necessária para transplantar um fragmento que seja da medula espinhal, isto é, da porção do sistema nervoso central que passa por dentro do canal localizado na coluna vertebral.

Quando se fala de transplante de medula óssea, estamos nos referindo a um procedimento clínico que possibilita retirar parte da medula alojada na cavidade interna de vários ossos, aquela parte que no esqueleto dos bovinos, por exemplo, chamamos de tutano.A medula óssea é formada por tecido gorduroso no qual são fabricados os elementos figurados do sangue: hemácias ou glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. No entanto, ela pode entrar em falência e não ser mais capaz de produzir as células do sangue ou pode ser destruída completamente durante o tratamento de determinados tipos de câncer que exigem altas doses de medicamentos quimioterápicos e/ou de radioterapia. Em situações como essas, o transplante de medula óssea pode ser a única maneira de salvar muitas vidas.
O procedimento é bastante simples. Colhe-se uma pequena quantidade de células progenitoras da medula óssea do doador e injeta-se no sangue periférico, na veia do receptor. Através da circulação, essas células atingirão o interior dos ossos, lugar onde mais gostam de viver, começarão a multiplicar-se e retomarão a atividade de produzir os componentes do sangue. Em pouco tempo também, o receptor terá recomposto completamente sua medula óssea e, se quiser, estará apto para uma nova doação.Embora simples e possível de ser feito, esse procedimento esbarra num grande problema. Como se sabe, o organismo tem a capacidade de rejeitar tecidos que lhe são estranhos. No caso específico do transplante de medula óssea, essa rejeição tem características muito especiais que dificultam encontrar um doador compatível.
Por isso precisamos de cada vez mais doadores para que crianças como Luís Flávio tenham a chance de continuar vivendo....

Não percam no dia 02/08 estarei eu, euzinha mesmo, linda e loira no sofá do Amigão... que chique né... não esqueçam de prestigiar...

Novidades...

Olha só que graça este mimo que ganhei da amiga Cris.

Adorei...

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Depois de um longo inverno...eis que retorno

Voltei... cheia de novidades... andei muito ocupada, sabe, agora tenho dois empregos, o mal das enfermeiras. Pois é fui chamada numa seleção da prefeitura, chique né, sou estatutária, mas vou contar a melhor parte: meu novo emprego. Trata-se de um CAPS, última moda na área da saúde, calma, eu explico, visando a desospitalização dos doentes mentais ocorreu a construção de centros de atenção psicossocial, onde são realizadas ações que previnem as situações de crise dando suporte aos usuários evitando a internação nos "manicômios", nos serviços os doentes mentais recebem reabilitação psicosocial através de oficinas de trabalhos manuais, atividades de suporte social, orientações em saúde, avaliações psiquiátricas e psicológicas, suas famílias também são atendidas e orientadas, os usuários passam o dia no Caps e no fim da tarde voltam para casa, o que não os afasta do convívio familiar e com a comunidade. A equipe é multiprofissional, são enfermeiras, psicólogas, terapeutas ocupacionais, psiquiatras, assistente social, educador físico, entre outros. Estou muito contente em poder exercer um trabalho tão diferenciado, parece que estou fazendo terapia...Minhas colegas dizem só podia ser a Paola, misturar crianças e doentes mentais, que "loucura".
Bjão, até mais.

sábado, 5 de julho de 2008

"A esperança de Humanizar"...


Essa semana recebi um convite de formatura de uma turma de enfermagem que me chamou muita atenção, nele dizia logo na primeira página:

" A enfermagem é uma profissão que se desenvolveu através dos séculos, mudando a história da humanidade. O papel preponderante da enfermagem sempre esteve vinculado ao bem estar e ao cuidado com a vida, se desenvolveu ao longo do processo histórico das civilizações. No entanto, os avanços tecnológicos-científicos e a modernização têm desviado o enfermeiro de suas verdadeiras funções. Assim, esse profissional vem assumindo, cada vez mais, encargos administrativos pertencentes a outras áreas. Com isso, surge a necessidade de resgatar valores humanísticos que norteiam o trabalho daqueles que fazem da assistência o seu objetivo maior; pois corpo e emoção são indivisíveis!"

Digo que me chamou a atenção por que depois que nos formamos e entramos na dura rotina do trabalho hospitalar perdemos um pouco esta visão humanística, sempre faço de tudo pra não deixar de ser "humana", porém sei o quanto é difícil, as rotinas administrativas consomem nosso tempo, cada vez passamos menos tempo ao lado dos pacientes nas enfermarias, já cheguei a ouvir de um paciente que ele não gostava quando eu designava um técnico pra fazer seu curativo pois durante o curativo era o único momento que ele tinha pra conversar, rir e jogar conversa fora comigo, sei que isso é HUMANIZAR, apesar de estar em meio a um procedimento eu o distraio, conversamos amenidades, saímos da rotina, gosto de parecer engraçada, de fazê-lo rir com minhas histórias, mas às vezes não dá tempo...fico triste em dizer isso mas tem dia que não dá... fico com 4 técnicos numa enfermaria com 29 leitos, some aí : as mães, os pais, os inúmeros acompanhantes, os médicos solicitando isso e aquilo, as altas, as admissões, as quimioterapias, os curativos, a papelada, os exames para cobrar, o telefone que não para de tocar e sempre é para a enfermeira, as prescrições médicas para eu aprazar os horários das medicações, não sei quem que faltou e você tem que dobrar, o marido em casa a choromingar...a coluna que dói, os rins que reclamam, ops hoje não bebi água...meu Deus não fiz nem ao menos xixi, pois quando consegui ir até o banheiro ele tava ocupado e aí me chamaram, chegou admissão, alguém passou mal...chamem o plantonista....é enfermeira daqui, enfermeira de lá, o nome doce de se chamar....Ah meu Deus, me ajude, Maria passa na frente pra eu não surtar...
Tão vendo essa é a vida da enfermeira, e com tudo isso Humanizar às vezes vai pra segundo plano... Mas como Deus é bom as vezes recebemos um tapa com luva de pelica, como esse convite que recebi, me alertou me abriu os olhos e não me deixou esquecer que apesar de todas as funções designadas a mim, a mais importante e a que deve estar associada a todas as outras é ser "Humana", sentir a dor do outro, doar confiança e dedicar-se ao extremo, se entregar e levar alegria , cuidar e curar através do amor.

sábado, 28 de junho de 2008

Coisas sem explicação...

Acontecem certas coisas na vida que não conseguimos explicar, em casos de doença sempre buscamos motivos, por que tais pessoas tem que passar por isso mesmo parecendo ser tão boas, o que nos leva a passar por sofrimentos como doença e morte, por que alguns têm que enfrentar tais situações e outros não...difícil, não? Sempre me faço estas perguntas, quando vejo pessoas idosas sofrendo, mas sofrendo mesmo, sabe aquelas pessoas que já estão desenganadas, que a família reza pela abreviação do sofrimento, mas o doente continua ali, numa prece diária, com um olhar triste implorando pelo descanso eterno, mas parece que não consegue morrer, acontece muito isso tem gente que sofre demais pra morrer, mas porquê? Em casos de tragédia sempre me pergunto qual a explicação pra tal fato. Esta semana foi feriado aqui em Salvador, São João, as férias escolares já começaram, logo muita gente viajou para o interior do estado em busca das famosas festas juninas, e com tudo isso regado a muito licor e noites perdidas, vários acidentes ocorreram nas estradas etambém não é segredo pra ninguém o péssimo estado de conservação das rodovias nordestinas, o que contribui para os acidentes.
Na quinta- feira assumi o plantão e fui surpreendida com a triste história contada pela minha colega, na madrugada ela admitiu 02 crianças vítimas de politraumatismo causado por acidente automobilístico, estas foram transferidas do hospital geral aqui da capital, eu fiquei sabendo de tal acidente na quarta pela manhã enquanto trabalhava, mas como não assisti TV ou li jornal naquele dia não tive noção da dimensão da tragédia, as crianças que ainda estão com a gente no hospital estavam no acidente noticiado abaixo pelo jornal A Tarde, ambos perderam as mães, uma delas estava grávida, o menino de 9 anos também perdeu o irmão de 12 anos, e o seu pai que dirigia o carro está na UTI do mesmo hospital, felizmente já em bom estado.
Acidente mata 3 na BR-324
Adilson Fonsêca, do A Tarde

Um grave acidente na manhã desta quarta-feira, 25, na BR-324, próximo à entrada para o município de Santo Amaro da Purificação (a 71 km da capital), matou três pessoas de uma mesma família. O acidente ocorreu após o encerramento da Operação São João, da Polícia Rodoviária Federal (PRF), e atingiu, gravemente, seis pessoas de uma mesma família, que viajavam no veículo VW Gol (JRF-4982).
O Gol colidiu com um ônibus, um caminhão-baú e um GM Celta, todos trafegando na pista sentido Salvador. Nenhum ocupante dos outros veículos se feriu com gravidade.
Rosangely Matos Barreto Silva Souza, 38 anos, Eliana Régis de Souza, 35, e o garoto Edson Barreto da Silva Neto, 12, não resistiram ao choque, que destruiu o VW Gol – apesar do esforço, por quase duas horas, das equipes de resgate (PRF e Corpo de Bombeiros de Salvador).
As duas mulheres morreram no local.
O menino ainda chegou a ser levado com vida ao Hospital Geral de Candeias (Grande Salvador), mas, no início da tarde, a Polícia Rodoviária Federal informou que ele também não tinha resistido aos ferimentos.
Um menino de 09 anos e uma menina, de 07 anos, foram resgatados das ferragens e transportados de helicóptero para o Hospital Geral do Estado (HGE). O motorista do VW Gol, Tedson Matos Barreto, cuja idade não foi revelada pelos policiais, ficou com parte do corpo sobre o garoto e a menina.Tedson Barreto foi o último a ser retirado do veículo e também transportado de helicóptero para Salvador. O HGE não divulgou notícias sobre o estado de saúde dos sobreviventes até o fechamento desta edição.Além do VW Gol, o acidente envolveu um ônibus, que fazia transporte clandestino de passageiros, da cidade de Amargosa para Salvador, sem placas; um caminhão-baú que virou no canteiro central; e um GM Celta (JOM-7861).
Motoristas e passageiros do ônibus e do caminhão não sofreram ferimentos, mas Marilene Brandão Oliveira, 36, que estava no Celta, teve suspeita de fraturas e desmaiou, depois de receber pancada na cabeça.
O acidente provocou um engarrafamento na pista sentido Salvador de aproximadamente 50 quilômetros, entre o acesso para Santo Amaro e a saída de Feira de Santana (a 109 km da capital).A polícia teve de interditar uma das pistas para o pouso dos dois helicópteros do resgate, e o trânsito, em contramão, das ambulâncias e demais veículos do Corpo de Bombeiros.O longo congestionamento causado pelo acidente durou até o final da tarde, após as 17 horas. No início da noite, o grande fluxo de veículos ainda retornando à capital manteve o fluxo lento de veículos na BR-324.
Diante de uma tragédia desta, olhando para os olhos tristes, os rostinho inchados, roxos, machucados de duas crianças lindas e inocentes que acabaram de perder as mães, fico indefesa, chorosa e sem entender a razão de tudo isso, me perguntando o por quê... é estranho, uma família ficou sem estrutura, como um pai se sente ao perder uma filha grávida, um neto, uma nora, em ver seus dois outros netos sem mãe, seu filho num leito de UTI se culpando pela perda da esposa e de um dos filhos....a vida é tão complicada não conseguimos desvendar seus mistérios, por que uns têm que passar por isso e outros não...a doença é muito complicada difícil de aceitar, mas e a tragédia??? Uma tragédia como essa nunca é esquecida estes corações nunca serão totalmente confortados...nunca haverá explicação...afinal são duas crianças que tiveram as mães arrancadas pela morte sem dó nem piedade...
TENHAM TODOS MUITO CUIDADO NAS ESTRADAS...PRESERVEM SUAS VIDAS E A DOS OUTROS...

domingo, 15 de junho de 2008

De bem com a vida...

Olá pessoal estou de volta, depois de uma nova crise renal, como diz o povo aqui no Nordeste "pari" um cálculo renal enorme...depois tive uma baita gripe....mas estou melhor graças a Deus.
Boas notícias Luís Flávio já teve alta, retornou pra sua rotina normal, o material da medula foi coletado e está guardado caso seja necessário um transplante autólogo.
Gente nova no pedaço...pessoas boas aparecem todos os dias, ainda bem né, pra aliviar o estresse do ambiente hospitalar...a queridinha da vez é Sheila uma moça jovem, que sofreu um acidente de carro há cerca de 15 dias, teve liberação de líquido livre no abdômen devido ao impacto, o organismo estava absorvendo por si só, porém veio o sinal de infecção e ela precisou passar por uma cirurgia pra drenagem, mas já está bem, e logo voltará pra junto do seu marido e seus 3 filhos e deixará aqui a amiga que já gosta dela de "graça".
bjos, até mais...

terça-feira, 3 de junho de 2008

Terapeutas do riso

No dia a dia de trabalho com crianças precisamos de um momento para relaxar, e os pequenos também precisam sair um pouco da realidade e se distrair no mundo da fantasia. Aqui em Salvador contamos, em algumas instituições hospitalares com uma equipe maravilhosa de Terapeutas do Riso, eles fazem a alegria da criançada, cantam, tocam, fazem piada, enfim divertem e distraem a todos, tornando nosso trabalho mais leve, dando motivação, nos desprendendo da realidade.

Esse grupo possue um site com muitas informações acessem pra dar uma olhadela, vale a pena conferir:http://www.terapeutasdoriso.com.br

A equipe é composta por Dra. Ciranda Sambalelê, sempre tão elegante, adoro seus diversos penteados e os cílios então, de dar inveja, Dr. Bacural, canta,toca e faz piada como ninguém, mas é sempre tão dedicado e compenetrado quando procura as enfermeiras pra ver quem são as crianças que precisam de visita, anota tudo numa seriedade de duvidar e o Maestro Charanga sempre tão gentil, canta e toca a pedidos e nunca diz não ao pedido de uma enfermeira desesperada: "sei que já estão de saída mas, por favor passem lá no 519 o paciente tá tão triste"!!! Resumindo esta equipe é um show...

A seguir algumas postagens do site dos Terapeutas do Riso
Poder do Riso

Quando soltamos uma boa gargalhada, nem imaginamos de que forma estamos a ajudar o nosso organismo. Conheça o impacto que o riso têm no corpo humano:
CORAÇÃO
O ritmo cardíaco acelera. Em alguns casos, os batimentos podem atingir 120 pulsações por minuto — em repouso, o coração tende a bater, em média, 70 vezes por minuto. Quando a pulsação aumenta, existe mais sangue a circular pelo organismo, o que provoca uma maior oxigenação dos tecidos.
PULMÕES
Durante uma gargalhada, a absorção de oxigênio pelos pulmões aumenta. A inalação de ar é mais profunda e a expiração mais forte. Com a maior ventilação pulmonar, o excesso de dióxido de carbono e vapores residuais é eliminado, promovendo uma «limpeza».
MÚSCULOS ABDOMINAIS
Os músculos mais trabalhados durante uma gargalhada são os abdominais. Os movimentos funcionam como uma espécie de massagem para o sistema gastrintestinal, melhorando a digestão.
VASOS SANGUÍNEOS
Com o maior bombeamento de sangue promovido pelo coração, os vasos sanguíneos dilatam-se, originando uma redução da pressão arterial.
SISTEMA IMUNOLÓGICO
Durante a gargalhada, os níveis de hormônios do stress baixam. Com menos cortisol e adrenalina a circularem no organismo, o sistema imunológico fortalecem-se. Produzidas nos gânglios linfáticos e na medula óssea, as células de defesa do organismo não só aumentam em quantidade como também se tornam mais ativas. De destacar os linfócitos B, responsáveis pela produção de anticorpos, e os linfócitos T, que detectam vírus ou bactérias. Além destes, são também importantes a imunoglobina A, um anticorpo essencial no combate às infecções do foro respiratório, e as células NK (natural killers), que permitem destruir as células cancerígenas.

Palhaçologia
A metodologia do Palhaço

Os médicos palhaços que compõem o corpo cênico dos terapeutas do riso têm cada um, uma especialidade diferente.O quadro colorido dos nossos profissionais é composto de: Hó-tô-rindo, ritimologista cardíaco, cirugião flácido, ciru-giona, cínico geral e jegueatra.Com isso os atendimentos cômicos se desvecificarão e assim atingirão maior número de patologia, marrecologia e avestrulogia.
Vestido de jalecos brancos e roupas de tons pasteis, risoles, coxinhas e bananas reais, os doutores palhaços visitam pacientes á impacientes em leito em leito até chegar na copa onde fica o cafezinho.Das malas, maletas e sacolas são tiradas uma parafernália de bugigangas espalhafatosas, mágicas, bolas e claves de malabares que serve de instrumentos para os procedimentos mequetrefes dos doutores paspalhos mais que tem um resultado fantástico, comprovado, carimbado e certificado pelo riso nove mil e tanto.
Além de doutores catedrásticos dominam a novíssima tecnologia medicinal de ponta de estoque criada por eles mesmos tendo como meio, inicio e fim o nariz vermelho, nesses anos de pesquisas profundas projetarão novos aparelhos que detectam o mau humor, a depressão e o vírus da tristeza. Esses inventos estão revolucionando a medicina clown mundial, como por exemplo, o exame do xixi on-line, a radiografia computadorizada, a ressonância mãe-guinetica, rastreador ultrassônico de veias perdidas, ai segue uma lista quase interminável, já que cada caso é um caso e quem conta um conto ganha um ponto.

Como diz o poeta:
“Ficar num quarto acamado,

Olhando por teto cinza

Com o corpo enfaixado.

Comendo sopa sem sal,

Injeção, medicamento via oral.

Com todos preocupados.
Já está comprovado

Pela psicossomática

Que o organismo,

Fase infância ou geriátrica,

Rindo funciona melhor

Com chance de cura maior

De maneira profilática.
Os terapeutas do riso chegarão

Trazendo a receita da cura

Através da arte pura.

O hospital sem sorriso

Tem a rotina dura

Sofre o médico cansado

A enfermeira sem agrado

E o servente com tontura”

Autor: Jotacê

Retorno ao Hospital...

Como postei anteriormente Luís Flávio está novamente no hospital, a febre persistiu pelo fim de semana, iniciou antibioticoterapia, teve diarréia ontem e ficou bem hipoativo. Mas hoje graças a Deus, a febre já foi embora, ele já passeou pelos corredores, brincou e voltou a comer melhor, estava todo lindo de camisa de botão fazendo novas amizades por lá... Muito amado por todos chama a atenção por onde passa e todos querem vê-lo e brincar com ele, nosso já crescido bebê... está um homem, sabe tudo, tem resposta pra qualquer pergunta...
Especial essa é a definição de Luís Flávio.

sábado, 31 de maio de 2008

Mimo recebido da vovó Rô...


Um mimo muito querido que ganhei da vovó também mais querida da blogesfera.

Esse prêmio vem com algumas regras:
1) Indicar 5 blogs que você considera merecedor desse prêmio pela sua criatividade, estilo, material interessante, e também por contribuir com a comunidade blogueira, não importa em que língua esteja.
2) Cada prêmio deve conter o nome do autor e também o link de seu blog para que ele seja visitado por todos.
3) Cada premiado tem que mostrar o prêmio e colocar o nome e o Link do blog que lhe ofertou o prêmio.
4) Tanto o premiado quanto que deu o prêmio tem que mostrar o link do blog “Arte y Pico” para que todos saber da origem desse prêmio.
Meus indicados são:


A amiga Cris do Tô doida http://todoyda.blogspot.com/








de volta a ativa...

Quanto tempo... senti saudade do meu computador, das tardes solitárias digitando e atualizando meu blog. Estive sumida por esses dias...muito ocupada com os trabalhos da pós graduação, a monografia, além do que meu marido fez uma cirurgia de varizes e retirou um cisto da perna, então estou de enfermeira particular, trabalho em tempo integral....
Tenho novidades não muito boas, Luís Flávio retornou ao hospital nessa semana, com muita febre, muito hipoativo, uma infecção ainda sem foco conhecido.... fiquei muito triste com isso, pois nas semanas anteriores vinha falando com os pais dele e as notícias eram sempre boas, ele até esteve no hospital há uns 15 dias para coleta de sangue e desfilou por lá todo feliz mostrando o seu quarto aos que passavam e apontando para o braço com curativo dizendo que tomou sangue, enquanto nós o corrigíamos: "você tirou sangue Lula, e se Deus quiser nunca mais vai precisar tomar".
Na segunda estou de plantão...lá...no hospital, e trarei mais notícias dele...por que agora volto pro meu plantão...aqui em casa...é hora de curativo...
Até mais...

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Hoje é dia da Enfermeira...

Dia 12 de maio: Dia da enfermeira
Sempre atentas e cuidadosas com seus pacientes! As enfermeiras além de assistirem e cuidarem da saúde das pessoas, estão sempre logo ao lado com uma mensagem de conforto e carinho. Nos dão apoio, contam histórias e freqüentemente nos presenteiam com grande sorriso! Hoje sabemos que todo hospital deve contar com um corpo médico e de enfermagem de excelência. Médicos e enfermeiros trabalham lado a lado, um depende do trabalho do outro por isto é muito importante que estejam em sintonia para o sucesso da equipe!
Em 1938, Getúlio Vargas, assinou o decreto nº 2.956, que instituía o "Dia do Enfermeiro", a ser celebrado a 12 de maio, devendo nesta data ser prestadas homenagens especiais à memória de Ana Neri, em todos os hospitais e escolas de enfermagem do País. Ana Justina Ferreira Neri foi a pioneira brasileira da enfermagem.
"Logo ao amanhecer, começam a se movimentar, na luta contra a dor para a vida do seu semelhante salvar.Chamadas a todos os cantos, a todos atende com muito amor, as vezes mal compreendidas, sem o semelhante reconhecer seu valor.As vezes até nem é culpada, de demorar a atender, esquecemos que esteve ocupada, com outro caso grave para resolver. Com suas fardas brancas e lindas, estão atentas à toda hora, para trazer o bálsamo que cura, como um anjo de nossa senhora.Todos os doentes curados, saem alegres, por voltarem ao lar, elogiam sempre os médicos, mas esquecem das enfermeiras elogiar.A elas devemos tributar, grande parte da nossa gratidão, pois contribuíram como puderam, para nossa recuperação".
Esse poema foi escrito por um major da PM em 13-11-1982 enquanto estava internado num determinado hospital.
Autor Major Antenor

sábado, 10 de maio de 2008

Feliz Dia das mães!!!

Um Feliz Dia das Mães para todas as maravilhosas mães que estão ou estiveram lá no hospital comigo nestes últimos tempos....
Façamos uma reflexão:

Muito se fala a respeito das mães e do poder do seu amor. Um dos casos mais significativos, com certeza, foi o que relatou a doutora Elisabeth Kubler-Ros.
No hospital onde trabalhava, encontrou uma senhora portadora de uma doença terrível e que já havia internada dez vezes.Cada vez passava um período no centro de terapia intensiva e todos, médicos e enfermeiras, apostavam que ele iria morrer. Contudo, após as crises, melhorava e voltava para casa.
O pessoal do hospital não entendia como aquela mulher continuava resistindo e não morria.Então, certo dia, a senhora Schwartz explicou que o seu marido era esquizofrênico e agredia o filho mais moço, então com dezessete anos, cada vez que tinha um dos seus ataques. Ela temia pela vida do filho, caso ela morresse antes que o menino alcançasse a maioridade. Se morresse, o marido seria o único tutor legal do filho. Ela ficava imaginando o que aconteceria com o rapaz nas mãos de um pai com tal problema.
“É por isso que ainda não posso morrer”, concluiu.
O que mantinha aquela mulher viva, o que lhe dava forças para lutar contra a morte, toda vez que ela se apresentava, era exatamente o amor ao filho.
Como deixá-lo nessas circunstâncias? Por isso, ela lutava e lutava sempre.
A doutora, observando emocionada o sofrimento físico e moral daquela mulher, resolveu ajudá-la, providenciando um advogado para que aquela mãe, tão preocupada, transferisse a custódia do menino para um parente mais confiável.
Aliviada, a paciente deixou o hospital infinitamente agradecida por poder viver em
paz o tempo que ainda lhe restava. Agora, afirmou, quando a morte chegar, estarei tranqüila e poderei partir. Ela ainda viveu pouco mais de um ano, depois abandonou o corpo físico, em paz, quando o momento chegou.
A história nos faz recordar de todas as heroínas anônimas que se transformam em mães, em nome do amor. Daquelas que trabalham de sol a sol, catando papel nas ruas, trabalhando em indústrias ou fábricas e retornam para o lar, no início da noite para servir o jantar aos filhos pequenos. Supervisionar as lições da escola, cantar uma canção enquanto eles adormecem em seus braços.
E as mães de portadores de deficiências física e mental que dedicam horas e horas, todos os dias, exercitando seus filhos, conforme a orientação dos profissionais, apenas para que eles consigam andar, mover-se um pouco, expressar-se.
Mães anônimas, heroínas do amor. Todos nós, que estamos na terra, devemos a nossa existência a uma criatura assim. E quantos de nós temos ainda que agradecer o desenvolvimento intelectual conquistado, o diploma, a carreira profissional de sucesso, a maturidade emocional, fruto de anos de dedicação incomparável.
Quem desfruta da
alegria de ter ao seu lado na terra sua mãe, não se esqueça de honrar-lhe os dias com as flores de gratidão. Se os dias de velhice já a alcançaram, encha-lhe os dias de alegria. Acaricie os seus cabelos nevados com a ternura das suas mãos.
Lembre a ela que a sua vida se enobrece graças aos seus exemplos signos, os sacrifícios sem conta, as lágrimas vertidas dos seus olhos. E, colhendo o perfume leve da manhã, surpreenda-a dizendo: bendita sejas sempre, minha MÃE.

Como surgiu o dia das mães

A história da criação do Dia das Mães começa nos Estados Unidos, em maio de 1905, em uma pequena cidade do Estado da Virgínia Ocidental. Foi lá que a filha de pastores Anna Jarvis e algumas amigas começaram um movimento para instituir um dia em que todas as crianças se lembrassem e homenageassem suas mães.
A idéia era fortalecer os laços familiares e o respeito pelos pais. Para Anna, a data tinha um significado mais especial: homenagear a própria mãe, Ann Marie Reeves Jarvis, falecida naquele mesmo ano. Ann Marie tinha almejado um feriado especial para honrar as mães.
Durante três anos seguidos, Anna lutou para que fosse criado o Dia das Mães. A primeira celebração oficial aconteceu somente em 26 de abril de 1910, quando o governador de Virgínia Ocidental, William E. Glasscock, incorporou o Dia das Mães ao calendário de datas comemorativas daquele estado. Rapidamente, outros estados norte-americanos aderiram à comemoração. Em 1914, a celebração foi unificada nos Estados Unidos, sendo comemorado sempre no segundo domingo de maio. Em pouco tempo, mais de 40 países adotaram a data.
O primeiro Dia das Mães brasileiro foi promovido pela Associação Cristã de Moços de Porto Alegre, no dia 12 de maio de 1918. Em 1932, o então presidente Getúlio Vargas oficializou o feriado.
Mas Anna não foi a primeira a sugerir a criação do Dia das Mães. Antes dela, em 1872, a escritora Julia Ward Howe chegou a organizar em Boston um encontro de mães dedicado à paz.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Bem como todos já sabem adoro uma causa, que seja nobre é claro, já pude contar com muitos amigos, desde o início da minha luta, na divulgação da minha causa e hoje peço a ajuda de todos para abraçar a "luta" da Du do Norte, e que também deve ser a de todos nós brasileiros. Trata-se de um abaixo assinado promovido pelo Greenpeace solicitando ao Governo do presidente Lula que zere o desmatamento na Amazônia até 2015, para assim proteger os povos da floresta e milhões de espécies de plantas e animais que nela vivem. Entrem no site http://www.greenpeace.org.br/desmatamentozero/ e participe, coloque seus dados reais e abrace a Amazônia.
Beijos, Paola
Uma criança pronta para nascer perguntou a Deus:
"Dizem-me que estarei sendo enviado a Terra amanhã... Como eu vou viver lá, sendo assim pequeno e indefeso?
"E Deus disse: "Entre muitos anjos, eu escolhi um especial para você.Estará lhe esperando e tomará conta de você".
Criança: "Mas diga-me, aqui no Céu eu não faço nada a não ser cantar e sorrir, o que é suficiente para que eu seja feliz. Serei feliz lá?".
Deus: "Seu anjo cantará e sorrirá para você... A cada dia, a cada instante, você sentirá o amor do seu anjo e será feliz".
Criança: "Como poderei entender quando falarem comigo,se eu não conheço a língua que as pessoas falam?".
Deus: "Com muita paciência e carinho, seu anjo lhe ensinará a falar".
Criança: "E o que farei quando eu quiser Te falar?".
Deus: "Seu anjo juntará suas mãos e lhe ensinará a rezar".
Criança: "Eu ouvi que na Terra há homens maus. Quem me protegerá?".
Deus: "Seu anjo lhe defenderá mesmo que signifique arriscar sua própria vida".
Criança: "Mas eu serei sempre triste porque eu não Te verei mais".
Deus: "Seu anjo sempre lhe falará sobre Mim, lhe ensinará a maneira de vir a Mim, e Eu estarei sempre dentro de você".
Nesse momento havia muita paz no Céu, mas as vozes da Terra já podiam ser ouvidas.
A criança, apressada, pediu suavemente:"Oh Deus, se eu estiver a ponto de ir agora, diga-me, por favor, o nome do meu anjo".
E Deus respondeu: "O seu anjo se chamará... MÃE !".

Não podia deixar de homenagear as amigas blogueiras nesta semana tão especial, Cris e vovó Rô e claro minhas duas mãezonas: Vó Maria e minha mãezinha querida RosÂngela.
Amo vocês. Estão longe dos olhos mas perto do coração...

Homenagem às mães batalhadoras que convivo diariamente...

Esta semana gostaria de homenagear no Blog as mães lutadoras que conheço diariamente nos corredores do hospital, mães que deixam suas vidas em segundo plano e se dedicam exclusivamente aos filhos doentes, mães que trabalham, estudam e cuidam com o maior amor do mundo dos seus filhotes em momentos difíceis, mães que sabem que a luta é enorme, triste, trapaceira , que a vitória muitas vezes é quase inatingível... mas que nunca desistem...Dedico à vocês nesta semana das Mães estes textos a seguir...
Miralvas, Leossandras, Delanes, Maísas, Gildas, Tatianes, Milenas, Nilzas, vocês me ensinam diariamente o valor que tem uma mãe.... Felicidades a todas....
Mãe:
Você que me deu o bem mais precioso. “A vida” Me esperou com tanto carinho. Me ensinou os primeiros passos.
As primeiras palavras. As lembranças mais antigas que tenho em você,
È a sua mão segurando a minha para me dar proteção.
Sua voz doce, cantando cantigas de ninar, me fazendo dormir e sonhar.
Um sonho sereno, tranqüilo, sabendo que você estaria ali a me proteger.
Você que lutou, sorriu, chorou. Mas não deixou a amargura tomar conta de seu coração. Você que me ensinou a ser adulto, mas continuar com meus sonhos de criança. A ser forte, sem ser amargo.
Abrir meus caminhos, tomando sempre cuidado com as plantinhas ao redor.
Com você aprendi a ser “gente” Que respeita “gente”.
Aprendi a ter fé, aprendi a aceitar os defeitos das pessoas.Aprendi que o
amor tem que ser incondicional.
Minhas melhores lembranças, são as que você cria todos os dias... No amor que sinto em tudo o que você faz.
No brilho do seu olhar...
Mães...
Pessoas que não têm guerra para desistir.
Pessoas que não fogem de nenhum compromisso.
Querem guerrear, levem uma mãe.
Querem vencer, levem uma mãe.
Coloquem sempre uma mãe na frente,
Que não haverá nenhuma bala que o atingirá.
Não tem nada que uma mãe não possa enfrentar.
A mãe não desiste nunca,
A mãe tem todas as forças do mundo a seu favor.
A mãe usa o maior escudo já existente.
O que você pensa ao falar de uma mãe,
Será muito pouco pelo que ela representa.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Mais um feriadão...

Hoje coisas boas aconteceram, recebi uma cartinha muito especial de Jessyele, lembram daquela garotinha adorável que vem dando a volta por cima na Aplasia de Medula? Imaginem uma receita médica feita exclusivamente para ela com o título de Clínica de Bonecas - Drª Jessyele Oliveira, com carimbo e tudo, linda.... só podia ser Lula o pai dela pra fazer esse dengo todo. Então, ela receitou doses de carinho, comprimidos de amor, cápsulas de paciência, entre outras coisas, agradeceu o amor compartilhado e declarou seu carinho, sempre fico impressionada com a inteligência desta garota, tão novinha e já sabe que a "sua enfermeira" precisa de muito amor, carinho e muiiiiita paciência.
O Amigão também me fez feliz mais uma vez, olha que chique, no seu post mais recente nos deu uma caneca cheia de selinhos, e classificou meu humilde blog da seguinte forma: " este sim é blog engajado e nobre e a Paola é uma criatura sensacional".

Obrigada Amigão, você é que é um Amigão...
Beijos pessoal e um bom feriado a todos.

terça-feira, 29 de abril de 2008

O Fantástico menino cego.


Você vai conhecer agora a história de um menino chamado Ben. Ele virou notícia porque venceu a deficiência de forma extraordinária. Com o apoio incansável da mãe, ele desenvolveu capacidades quase sobre-humanas.
E pra contar essa história de superação, o repórter Rodrigo Alvarez do Fantástico, esteve com Ben na cidade de Sacramento, na Califórnia.
Quem passa distraído por uma rua em um subúrbio da Califórnia tem a impressão de que Ben Underwood é um adolescente como os outros. Ele tem 16 anos, está sempre sorrindo e é brincalhão. Apaixonado pelo basquete e pra lá de abusado na bicicleta.
Quando a equipe de reportagem do Fantástico chegou, o adolescente estava longe de casa. A mãe teve que chamá-lo pelo celular, e ele veio de longe, esbaforido.
Em quase tudo, ele é como os amigos do bairro, não fosse por um importante detalhe: ele é cego. Aos 3 anos, apareceram manchas brancas nos olhos de Ben. Os médicos diagnosticaram câncer nas retinas e, mesmo depois de duas cirurgias, ele perdeu completamente a visão.
Fez experiências com a bengala, só que ficou tão perdido e desistiu. E, sem que ninguém lhe ensinasse, acabou desenvolvendo uma habilidade incomum: começou a estalar a língua e descobriu que era possível “enxergar” com os ouvidos. Criou uma espécie de radar, ou sonar. Ele se orienta pelo eco do som que produz.
Hoje, enquanto caminha, sabe exatamente onde estão os carros. Na bicicleta, ele aponta mostrando que tem uma árvore à direita. O repórter pede para ele parar perto de uma outra árvore, e Ben não se engana.
“Quando eu estava andando por aqui, antes, eu detectei a árvore. E agora sei exatamente onde ela está. Eu posso ouvir que tem uma árvore aqui”, diz o adolescente.
Mas como ele sabe diferenciar uma árvore de um carro?
“A árvore é muito menor, é mais fina. O carro é comprido. Mas saber o ambiente em que estou me ajuda muito. Se tivesse um carro no meio da floresta, talvez eu pensasse que era um animal ou qualquer outra coisa”, explica Ben.
Para mostrar a precisão da “tecnologia” de Ben, propusemos um desafio – e é claro que ele topou. Colocamos uma lata de lixo em um corredor barulhento, onde funciona um estúdio de música. E ele desviou da lata com uma manobra milimétrica.
Depois de vencer os obstáculos, dentro do estúdio, Ben encontrou um universo onde tudo toca a seu favor. Durante muitos anos, Ben usou o método instintivamente, sem saber que estava reproduzindo algo conhecido pela natureza. É o que a ciência define como eco-localização, comum entre os golfinhos e morcegos, mas extremamente raro entre os seres humanos.
Debaixo d’água, os golfinhos emitem sons que se propagam em ondas e, ao se encontrar com objetos, voltam a eles, na forma de eco. O lapso de tempo entre os sons emitidos e o eco permite ao golfinho determinar a distância que o separa do objeto. Algo parecido acontece com Ben.
A mãe acredita que o filho desenvolveu essa habilidade porque nunca disse a ele que estava cego. Desde pequeno, ele aprendeu a ver com os outros sentidos.
“Depois da segunda cirurgia ele acordou e disse: ‘Mãe, eu não posso ver, eu não posso ver’”, diz a mãe.
Ela conta que mostrou a Ben que ele podia usar as mãos, o nariz e os ouvidos para entender o mundo.
“Eu nunca deixei ele perceber que eu estava com medo e nunca chorei na frente dele. Eu nunca disse que ele era diferente dos outros, porque não existem diferenças”, continua a mãe.
Bom, se as diferenças existem, podem ser a favor de Ben. Com ouvidos super poderosos e mãos velozes, ele derrota qualquer adversário no videogame.
Ben venceu mais uma. Recentemente, o câncer reapareceu. Ben tem poucos cabelos porque voltou a fazer quimioterapia, mas continua sonhando com o futuro. “Quero ser inventor, ator, escritor e criador de jogos de videogame”, diz Ben.
Se ele se sente feliz? A resposta parece óbvia. Basta observar um pouco para entender algo que Ben já enxergou há muito tempo.


Assisti na rede Globo esta reportagem sobre Ben, o menino cego que emite sons e "enxerga" através deles uma história incrível de superação que emociona e nos faz refletir sobre o sentido da vida.

Um início de semana tumultuado...

Oi gente, acredite quem quiser, não é que Camila não foi pra casa!!! Pois é ainda não era o momento, ela quis ficar mais, fazer oque, pessoas que ela gosta, que a amam, todos receptivos, lágrimas de saudade rolaram com antecedência, etc, etc, etc, então.... ela resolveu ficar mais um pouco, que seja breve viu Mila... brincadeiras a parte, Camila teve febre, parece que mais uma infecção urinária, acabou ficando internada, mas não tem nada não vai passar...e da próxima vez seguraremos os sentimentos e ela irá com a consciência tranquila sem dó de nos deixar.

O pai de Luís Flávio teve alta do hospital, já se sente um pouco melhor, mas continua investigando a causa das dores de estômago. E nosso meninão está ótimo, liguei hoje pra saber.


Eu também fiquei dodói, parece ter sido algo viral, por isso do meu sumiço nestes dias, mas já melhorei, os vômitos e a dor de cabeça passaram, fiquei com medo da dengue e esperançosa por uma gravidez, mas enfim passou, não foi nem uma nem outra. Estou de volta a ativa.
beijos, Paola

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Um até breve pra Camila...

Como sempre dedico algum espaço pra falar de outras pessoas importantes pra mim, além de Luís Flávio, hoje resolvi dedicar esta postagem à Camila.
Mila, para os íntimos, já está com a gente no hospital há 5 meses, tem 14 anos, completados lá dentro, tem neuropatia, pouco contacta, mas tudo revela pelo seu olhar, seu sorriso, e pelos pedidos constantes de "gagau", "mainha", "tia".
Internou para redução de uma prótese que tem na coluna, que estava exteriorizando, muito emagrecida, passou pela cirurgia e pelo estado geral deprimido teve várias infecções, e enfim ficou "morando" com a gente este tempo e essa semana vai embora!!!!!!!! Graças a Deus...

Mas hoje me peguei pensando, quanta falta fará... Delane a mãe dela, tem um astral incrível, cativa, adoro ela, me dá uma energia muito boa, as vezes fica de mau humor, normal, imagine-se preso dentro de um hospital há quilômetros de distância da sua casa, onde deixou outros 2 filhos adolescentes, sem poder sair pra lugar nenhum pois sua filha é totalmente dependente de você....então, sem palavras, pois é...foi essa a vida dela nesses tempos.
Então o apartamento delas por "usucapião" é aonde me recupero às vezes, tenho muito isso, sou estranha, né... bom mas é lá, um dos lugares nesses últimos 5 meses, que retomo as boas energias pra continuar o trabalho. Sério mesmo, muitas vezes, já acordei Del, pedi pra ela levantar me dar um abraço, ou beijei muuuuuuuiiiiito Mila, alegando que precisava de carinho e energia de gente que gosta de mim, estranho??? Mas acontece, o ambiente é carregado, as pessoas estão estressadas e as vezes te dizem coisas que você tem vontade de sair correndo e nunca mais voltar, aí recorro aos braços daqueles que me amam e que eu amo de graça. Pronto passou...
Pois é minhas amigas vão voltar pra casa, tô feliz por elas e sei que mais amigos virão, e que estas ficarão pra sempre na memória e nos contatos... Viu Del, por que em Junho tô lá em Feira de Santana passeando na sua casa....
Um até breve pra Camila... mas não vale ficar com muitas saudades de mim e voltar pro hospital me ver. Como costumo dizer àqueles que saem de alta: te vejo no shopping...não volte aqui me ver...
Bjos, Paola

Tal Filho, tal pai...êpa o papel se inverteu...

Acreditem, essa semana o pai de Luís Flávio está do outro lado, quero dizer: Marcus tá internado. Quem sempre acompanhou o filhote no hospital, hoje está vivenciando outro papel, ele fez uma cirugia de hérnia há alguns dias e começou a sentir fortes dores abdominais esta semana, está sendo investigado o motivo, mas ele tá melhor hoje, já caminhou, se alimentou, etc, mas Luís anda tristinho, afinal a mãe está acompanhando Marcus e ele longe dos pais por estes dias, mas logo tudo voltará ao normal, se Deus quiser.
Ah, pra não esquecer de contar, no início da semana Luís não fez a biópsia, como postei anteriormente, por problemas burocráticos com o convênio.

domingo, 20 de abril de 2008

Boa companhia no trabalho...

Essa semana tive um companheiro maravilhoso durante meu trabalho, Luís Flávio internou na terça pra fazer uma biópsia de medula e coletar material pro transplante autólogo, caso seja necessário, porém estava resfriado, teve febre e diarréia, logo o anestesista achou melhor aguardar a melhora do quadro, ele voltou do Centro cirúrgico comeu, brincou, pode rever os amigos, fazer novos, e de quebra ficou em observação uns 3 dias, mas sempre muito bem, me acompanhou pelos corredores, fomos ao Raio X juntos, me deu chocolate na boca, enfim me mimou bastante...foi muito bom tê-lo comigo´novamente por uns dias, apesar do ambiente, mas com ele bem vale a pena comemorar... no fim da semana foi pra casa e na próxima terça retorna pra fazer a biópsia e dar um passeio, rever amigos....aquelas coisinhas de sempre...

sábado, 12 de abril de 2008

Tudo acaba mas o amor persiste...

"Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém...Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim...E ter paciência para que a vida faça o resto"...
Na última postagem a querida vovó Rô postou um comentário lindo onde dizia que eu amava demais... fiquei muito emocionada com as palavras carinhosas dela, e fiquei pensando neste "amar demais", realmente me apego muito e amo sem pedir nada em troca, isso me fez lembrar de Fernandinha, já postei antes uma foto dela, fofa, aborrescente de 11 anos teve Leucemia, ficou comigo 1 ano, me chamava de Claudinha Leite, me apeguei muito a ela e a sua mãe que no meio da luta ficou grávida, Nanda fez Quimioterapia, todo o tratamento que Luís já fez, mas pra ela parece ter sido muito mais difícil, talvez pela idade, imaginem nossa luta pra preparar uma menina de 11 anos pra perda de cabelos...quando começou a cair ela mal saía do apartamento, lembro que levei um boné pra ela rosa da Rebelde, passava a novela na época e ela era muito fã, para entretê-la e divertí-la colava sempre adesivos nos curativos dela, então depois do banho ela já esperava minha entrada: mascarada, de avental, luvas, com uma cartela de adesivos diferente pra ela escolher qual queria naquele dia, lembro também que dos curativos que eu trocava ela tirava os adesivos e colava na mesa de cabeceira, que aos poucos foi ficando toda colorida, essa história é comprida e tem final triste, ainda me emociono quando lembro dela, de Gilda sua mãe, da irmã, que não foi compatível pra doação de medula, Nanda tinha chances, mas não resistiu, crianças com leucemia são muito propensas a infecção e foi assim que ela se foi... foi a segunda criança que perdi...chorei muito trancada no banheiro do hospital, a tarde uma colega cobriu meu setor e eu fui me despedir, meu marido foi comigo, o cemitério fica em frente ao hospital, então sinto que ela ainda tá ali, muitas vezes em plantões noturnos quando tudo se acalma ,fico olhando pela janela do hospital e conversando com ela... nunca mais vi Gilda, mas sempre me manda notícias por uma amiga dela, que leva fotos do irmãozinho de Fernanda que tinha dias quando ela se foi... a mãe ainda não se sente bem em voltar naquele ambiente onde tudo se passou, e eu confesso que quando entro no apto 512 ainda sinto o cheiro de Nanda...
Quando a vovó Rô falou de amor lembrei dessa passagem da minha vida, onde vivi e vi muito amor de formas tão diferentes, o amor da mãe pela filha, o da equipe pela criança, sua irmã e sua vó, a gravidez e a esperança de salvar a filha com a nova vida que viria, a decepção da irmã ao saber que não poderia doar medula pra Nanda, o meu amor intenso por alguém desconhecido que de uma hora pra outra me preencheu, amor este que gerou revolta no momento da despedida, nunca aceitarei perder uma criança, mas uma paciente, também especial, D. Célia uma vez me disse que pessoas boas voltam logo pro lado do PAI, acredito que Fernanda tenha sido uma provação na minha vida, algo intenso que eu tive que viver no início da minha profissão pra ganhar forças e continuar ajudando os outros, sei lá nada tem explicação, mas que o Moço lá de cima vai com minha cara isso eu sei, por que ele coloca muita gente boa no meu caminho... e eu só peço a ele a todo momento que entro no Hospital que me dê um bom plantão e muito amor pra doar.


"Perguntei a um sábio ,a diferença que havia
entre amor e amizade,ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas ,a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,na Amizade compreensão.
O Amor é plantado e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida companheira.
Mas quando o Amor é sincero ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo ou uma grande paixão,ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração"

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Uma visitinha muito importante...

A maioria das pessoas não imagina o quanto é gratificante para os profissionais de saúde receber visitas de pacientes que tiveram alta, que já estão bem, retomaram suas atividades e voltam ao hospital para rever aqueles que acreditam tê-lo ajudado num momento difícil, que fizeram parte de suas vidas por um espaço de tempo, que fizeram companhia, que deram carinho, remédio e curativo...as vezes recebo ligações no posto de enfermagem de mães de crianças pra contar que está tudo bem, que fulano já tá indo na escola, que já tá andando, que vai fazer aniversário, que caiu da cama, que tá vomitando....AHHH Paola... me ajude quantas miligramas de tal remédio ele tava tomando... tá com febre.... oque eu faço....onde compro o remédio que acabou...olha Paola venha aqui na emergência pra ver como fulaninho cresceu...posso subir aí pra ele te ver...ou então receber uma mensagem de e-mail com palavras carinhosas de agradecimento... é muito bom e gratificante saber que em momentos tão difíceis conseguimos nos aproximar doando e ganhando amor....Essa semana foi repleta de surpresas como estas todas muito boas...já na terça, a visita inesperada de Dona Gleide, uma senhora MARAVILHOSA, que fez tratamento com a gente de quimioterapia, por uns meses, ficamos muito próximas pois ela se sentia muito carente e temerosa pelo tratamento, eu com minha "falação" acabei acalmando ela, pois é... tá curada, e sempre volta pra me dar um abraço...depois Luís Flávio teve lá ontem me surpreendeu já na minha chegada ANTES DAS 7 DA MATINA, dei de cara com meu bebezinho, foi fazer consulta pré-anestésica, preparo pra coleta do material da medula, tava como sempre muito alegre...depois subiu no setor de Pediatria aí sim foi a maior festa, na foto ele tá no colo de Socorro, enfermeira que trabalha comigo lá... Cocorro (como diz Luís Flávio), e hoje tive uma surpresa maior ainda recebi um telefonema de um paciente que pediu pra subir me ver, tenho muita facilidade em lembrar nomes, e quando ele disse que era o Luciano passou um filme na minha cabeça... fiquei tão radiante tanto que todo mundo ficou curioso pra saber com quem eu falava, esse rapaz é muito jovem e ficou muito tempo gravíssimo no hospital, teve complicações cirúrgicas, passou tempo na UTI, muita coisa deu errado, muita coisa atrasou, tudo foi complicado e difícil... mas a gente dava um jeitinho aqui e outro ali, sempre fico muito envolvida com os pacientes que estão sob minhas asas,mas quando é alguém tão jovem, com uma família tão maravilhosa, esposa dedicada, irmã gente boa... sempre me coloco no lugar...e penso o que seria deles se perdessem algúem assim com tanta oportunidade pela frente... poxa fiquei feliz mesmo e agradeci a Deus enquanto dava um abraço apertado naquele rapagão que apareceu na minha frente hoje, todo forte, corado, feliz, sorridente, ele que já esteve tão cabisbaixo...fiquei ainda mais satisfeita de ouví-lo por várias vezes me agradecer por tudo...que nada rapaz, pelo resto da minha vida profissional espero poder continuar dando meus jeitinhos e fazendo as vontades dos meus "filhotes", pois sei que não faço mal a ninguém...
Boa noite...que amanhã tem plantão...

terça-feira, 8 de abril de 2008

Saiba mais sobre células tronco...

As únicas células-tronco capazes de originar todos os tecidos do corpo são as embrionárias que falamos no post anterior. Mas também existem células-tronco adultas (CTA), que podem dar origem a alguns tecidos, não a todos. As principais fontes dessas células são a medula óssea, o tecido adiposo, a polpa do dente e o cordão umbilical. Entre as CTA, as chamadas células mesenquimais conseguem formar tecidos importantes como músculo, cartilagem, osso e gordura. O sangue do cordão umbilical é rico em células-tronco hematopoéticas, aquelas que podem originar o sangue. Até aí nada de muito surpreendente: sangue de cordão dando origem a sangue adulto.
A novidade é o cordão umbilical

Recentemente confirmamos que o cordão umbilical, não o sangue, mas o CORDÃO mesmo, aquele tubo por onde passa o sangue é um grande repositório de células-tronco mesenquimais. Uma pesquisa realizada no laboratório do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que só 10% das amostras de sangue possuem essas células mesenquimais, mas TODOS OS CORDÕES estão repletos delas. E esses cordões são jogados no lixo!!!! É isso mesmo, o que se faz é guardar o sangue e descartar o cordão e a placenta. Essa descoberta muda tudo. A nova ordem agora é guardar os dois: o sangue e o cordão.
Possibilidades de uso
Se o cordão possui células-tronco com um potencial muito maior e diversificado para formar tecidos do que o sangue, guardá-lo para uso futuro pode ser muito promissor. A terapia celular com essas células-tronco ainda deve demorar para se transformar em tratamento, mas se as pesquisas derem resultados positivos é fácil imaginar inúmeros usos para as células-tronco mesenquimais derivadas do cordão umbilical. Entre eles, regeneração óssea no caso de uma fratura, regeneração de dente, de tecido muscular, cartilagem ou de outros tecidos e uso cosmético em cirurgia plástica.
Além disso, para os geneticistas, a possibilidade de derivar vários tecidos a partir das células-tronco de cordão umbilical abre inúmeras perspectivas para pesquisas sobre o funcionamento dos genes em pessoas portadoras de mutações responsáveis por doenças genéticas.
E então: guardar ou não guardar?
Se me perguntarem agora se eu guardaria o cordão de um filho meu, confesso que sim. É minha aposta no futuro, mas que depende, é claro, dos resultados das pesquisas atuais.
Bancos públicos ou privados?

Acredito que a criação de bancos públicos de sangue de cordão umbilical é algo necessário, mas questiono os benefícios de se congelar o sangue do cordão do próprio filho em um banco privado ou particular. Parece contraditório, não? Vamos lá, eu explico. No caso do banco privado ou particular, os pais pagam (e não é pouco) pela coleta e pelo congelamento do sangue do cordão para um possível uso futuro.
Quais são as possibilidades de uso? Há alguns anos já se sabe que o transplante do sangue do cordão umbilical pode representar a cura para leucemia e outras doenças hematológicas com maior eficiência até do que o transplante de medula óssea. O sangue do cordão é rico em células-tronco hematopoéticas, que têm o potencial de regenerar o sangue.
Mas a probabilidade de uma pessoa ter leucemia ou outra doença hematológica é tão pequena que não justifica pagar tão caro para guardar o sangue do cordão por tantos anos. Além disso, no caso de uma leucemia recomenda-se não usar o sangue do próprio cordão - um procedimento denominado autotransplante - porque aquela pessoa poderia ter uma predisposição maior para desenvolver um câncer de sangue. O ideal é utilizar células-tronco de um doador compatível (obtidas da medula óssea ou sangue do cordão umbilical) que pode ou não ser parente.
E mais ainda, no caso de uma leucemia, o sangue de um cordão só é suficiente para uma pessoa de até 50 quilos. Se o paciente pesar mais do que isso necessitará de mais do que um cordão. Em resumo, a não ser que já exista algum caso na família, a probabilidade de uma pessoa usar o sangue congelado do próprio cordão é muito pequena e quem se propõe a pagar por isso deve ser muito bem informado. mas só de pensar no sofrimento que presencio diariamente, congelo sim , e tendo condições pago mesmo...
A importância de centros nacionais públicos

Nos bancos públicos, os pais doam o cordão de seu bebê. Esse cordão será processado e analisado para várias características como tipo sangüíneo, marcadores de histocompatibilidade (que determinam quem é compatível com quem no caso de um transplante), ou agentes infecciosos. As amostras selecionadas são congeladas (em tanques de nitrogênio a -180º C) e catalogadas em um banco de dados com todas as características relevantes. Esses bancos públicos de cordão funcionam como os bancos de sangue atuais: quando você precisa de uma transfusão, procura-se no estoque aquele que é compatível com você: tipo A, B, AB ou O.
No caso do sangue do cordão umbilical a combinação doador-receptor é mais complexa. Mas estima-se que se tivermos cerca de 12.000 amostras em um banco público, a chance de se encontrar uma compatível com cada um de nós é praticamente de 100%. Nessa situação, se alguém tivesse uma leucemia ou doença passível de tratamento com células-tronco do sangue do cordão, não teria de procurar desesperadamente um doador de medula óssea. Bastaria achar no banco público a amostra compatível com ela.
Como chegar à melhor decisão
A discussão é grande e merece atenção de toda a sociedade. Há ainda uma sugestão que pode agradar a gregos e troianos. Como o cordão - que tem em média 40 centímetros - é muito rico em células-tronco mesenquimais, pode-se dividi-lo em dois: congelar uma parte para um futuro uso próprio e doar a outra para um banco público. Dizem que o homem sábio não é nem o primeiro nem o último a mudar de idéia. Esse é o fascínio de ser cientista. Não existe uma única resposta, não existe uma única verdade.

Texto baseado em reportagem da Revista Veja 2008.